
· O Acre teve a sua primeira fase econômica com o ciclo extrativista que se inicia no ano de 1820, por meio da exploração do látex, (Hevea brasiliensis), ciclo econômico que utilizou a mão de obra de populações nordestinas. A colonização dos espaços naturais estava restrita aos seringais e suas colocações, esparsas na floresta, diferentemente da fase econômica pecuarista que teve seu inicio a partir de 1970 e se fixa categoricamente no Acre e na região Amazônica
· No extrativismo, os aglomerados urbanos surgem em torno das sedes dos seringais, às margens dos rios. A via fluvial foi, durante quase um século, o único meio de transporte para o escoamento da borracha e o abastecimento de mercadorias dos colonos. Os rios representavam, até a década de 1990, as únicas estradas, e foram importantes vias de interligação espacial, de urbanidade e de convívio social na Amazônia. A ocupação das margens de rios representou, durante muito tempo, atributo de urbanidade incentivado pela co-presença do convívio cotidiano em atividades econômicas e de lazer
· As repercussões geradas pela abertura da BR-364, que liga Cuiabá, - Porto Velho, - Rio Branco e Cruzeiro do Sul, são múltiplas e se traduzem em uma alta mobilidade de mercado, no incentivo à pecuária e ao plantio de cana de açúcar, além de produzir movimentos migratórios significantes, gerar o declínio da produção de borracha e afetar as margens das estradas com a consequente destruição da vegetação nativa e aumento de áreas florestais devastadas. Seringueiros e colonos são motivados a se deslocar das margens dos rios para as margens das estradas. Assim, podemos considerar o sistema viário como instrumento de globalização e de impactos sociais, econômicos e ambientais que ao se manifestar em pontos nodais e acessos urbanos, passa a se integrar à estrutura urbana, compondo o sistema socioeconômico-ambiental da cidade. > DESENVOLVIMENTO PARA A REGIÃO, desordenado e sem planejamento
· O desenvolvimento urbano das cidades está intrinsecamente relacionado com as políticas de gestão administrativa dos diferentes níveis na mais ampla gama de ações e é reflexo destas na qualidade de vida e no espaço produzido. BECKER (2004, p. 31) expõe a lógica perversa da realidade regional, em que as cidades, tiveram um papel logístico essencial no processo de ocupação. A Amazônia tornou-se uma floresta urbanizada, com 69,07% da população, em 1996, vivendo em núcleos urbanos e, apresentando ritmo de crescimento superior ao das demais regiões do país a partir de 1970, além de uma desconcentração urbana, na medida que houve crescimento da população não mais apenas nas capitais estaduais, mas nas cidades com menos de 100.000 habitantes. “É verdade que as cidades se tornaram um dos maiores problemas ambientais da Amazônia dada à velocidade da imigração e carência de serviços”, (Op. Cit. p. 31). O privilégio atribuído a grandes grupos e à violência da implantação acelerada da malha tecno-política, que tratou o espaço como isotrópico e homogêneo, com profundo
desrespeito pelas diferenças sociais e ecológicas, tiveram efeitos extremamente perversos nas áreas onde foi implantada, destruindo, inclusive, gêneros de vida e saberes locais historicamente construídos. Essas são
lições a aprender sobre como não planejar uma região.
(Op.Cit. p. 27)
RESUMO: A história da ocupação do espaço amazônico tem como momento marcante o período do ciclo do látex, com profundas conseqüências para a realidade demográfica de nossa região. A verdade é que a Amazônia não foi mais a mesma depois do fausto do látex: a ocupação se intensificou, as cidades sofreram profundas mutações, as principais capitais regionais, Belém e Manaus, experimentaram um processo de embelezamento e modernização sem precedentes. Naturalmente fruto dessa realidade, a região amazônica foi inserida compulsoriamente na engrenagem do capitalismo internacional, como principal fornecedora de uma matéria-prima indispensável na produção de diversos produtos, ajudando a alavancar a indústria automobilística.
CRISE
O período entre 1907 a 1916, ficou conhecido, segundo escritor Antônio Loureiro como a ‘Grande Crise’. Do ponto de vista histórico, foi um tempo efêmero, mas definitivo na história da Amazônia. A produção de látex amazônico supriu as necessidades do mercado internacional, conectando-se com os principais centros de produção industrial. Em meio a esse contexto, a região ajudou a financiar o processo de desenvolvimento nacional, em seus momentos iniciais, ao mesmo tempo em que contribuiu para projetar o Brasil no exterior, estimulando o interesse de investidores e ações econômicas que implementaram o desenvolvimento nacional. Foi uma experiência dramática para toda a Amazônia, com conseqüências sociais e políticas para toda região.
Em abril de 1910 os preços do látex ainda eram favoráveis. O segundo semestre já não foi dos mais animadores. O látex, que havia sido o sustentáculo econômico da nossa região, entrava numa fase de retração. O fenômeno da produção asiática sai de 3.000 quilos, em 1900, para 28.000 em 1912. Já no ano seguinte, ultrapassou a produção brasileira, fato que se aprofundou nos anos posteriores, levando à ruína o sistema econômico implantado na Amazônia.
Artigos e pesquisa:
http://www.basa.com.br/bancoamazonia2/revista/edicao_03/Desordenamento_territ.pdf
http://www.sober.org.br/palestra/6/929.pdf
http://www.agrosoft.org.br/agropag/211091.htm
http://www.portalamazonia.com.br/blogs/a-crise-do-latex-na-amazonia-1907-1916/
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